Conteúdo baseado em pesquisa do instituto Meio/Ideia, registrada no TSE sob o protocolo BR-05628/2026 · Atualizado em julho de 2026
Uma nova pesquisa de opinião divulgada nesta quarta-feira (8) trouxe um retrato de como os brasileiros enxergam o poder feminino no país. Ao perguntar, de forma espontânea, quem é “a mulher que tem mais poder hoje no Brasil”, o instituto Meio/Ideia recebeu 60 nomes diferentes dos 1.500 entrevistados — mas um deles se destacou com folga na liderança.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) apareceu em primeiro lugar, citada por 15,4% dos participantes. O resultado chama atenção especialmente pelo momento: a pesquisa foi feita dias depois de ela publicar vídeos nas redes sociais dizendo ter sido “humilhada” pelo enteado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em meio a uma disputa interna pelo comando político do partido no Ceará.
Resumo rápido: o que a pesquisa mostra
- A liderança: Michelle Bolsonaro foi citada por 15,4% dos entrevistados como a mulher mais poderosa do Brasil hoje.
- O segundo lugar: a primeira-dama Janja da Silva aparece na sequência, com 9% das menções.
- O contexto: o levantamento foi feito logo após Michelle expor publicamente uma crise com o enteado Flávio Bolsonaro, e mediu também o efeito desse episódio na opinião dos eleitores.
Como a pesquisa foi feita
O levantamento foi conduzido pelo instituto Ideia por telefone, entre os dias 3 e 6 de julho de 2026, com 1.500 pessoas ouvidas em todas as regiões do país. A pergunta central era direta: “Quem é a mulher que tem mais poder hoje no Brasil?”. Nenhuma lista de nomes foi apresentada aos entrevistados — cada um respondeu livremente, o que os pesquisadores chamam de resposta espontânea.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05628/2026, tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos e grau de confiança de 95%. O estudo foi contratado com recursos próprios do Canal Meio, empresa responsável pelo instituto.
O ranking completo das mais citadas
Depois de Michelle Bolsonaro e Janja da Silva, a lista de nomes lembrados pelos brasileiros mistura figuras do Judiciário, da política tradicional, dos negócios e do entretenimento. A ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia aparece em terceiro lugar, seguida pela ex-presidente Dilma Rousseff.
| Posição | Nome | % de citações |
|---|---|---|
| 1º | Michelle Bolsonaro (ex-primeira-dama) | 15,4% |
| 2º | Janja da Silva (primeira-dama) | 9% |
| 3º | Cármen Lúcia (ministra do STF) | 4,5% |
| 4º | Dilma Rousseff (ex-presidente) | 2,5% |
| 5º | Simone Tebet (ex-ministra do Planejamento) | 2% |
| 6º | Erika Hilton (deputada federal) | 1,7% |
| 7º (empate) | Anitta, Marina Silva e Virgínia Fonseca | 1,5% cada |
| 8º | Tarciana Medeiros (presidente do Banco do Brasil) | 1,2% |
Vale destacar que quase metade dos entrevistados (43,5%) disse não saber responder à pergunta, enquanto 10,4% citaram outros nomes que não pontuaram individualmente e 5,5% responderam que nenhuma mulher tem poder hoje no país.
A crise com Flávio Bolsonaro pode ter influenciado o resultado
O timing da pesquisa não é acidental. Ela foi aplicada logo depois de Michelle Bolsonaro divulgar, no fim de junho, vídeos em que relata ter sido tratada com rispidez pelo enteado durante uma disputa sobre o palanque eleitoral no Ceará. O instituto aproveitou para medir a repercussão do episódio: 35,5% dos entrevistados disseram conhecer os vídeos, e desse grupo, a maioria considerou o relato pelo menos parcialmente verdadeiro — 29% acreditam que as declarações são totalmente verdadeiras e outros 35% avaliam que são mais verdadeiras do que falsas.
O que aconteceu: Flávio Bolsonaro negou publicamente ter agido com rispidez, pediu desculpas formais à madrasta e afirmou que divergências de estratégia eleitoral não representam ruptura de princípios entre os dois.
Para analistas políticos, o episódio, em vez de enfraquecer a imagem pública de Michelle, parece ter reforçado sua visibilidade e consolidado sua posição como uma das principais lideranças femininas do campo conservador — mesmo sem que a crise interna no Partido Liberal tenha se resolvido publicamente.
Michelle também foi testada como possível candidata
Além de medir a percepção de poder, a pesquisa Meio/Ideia simulou cenários eleitorais colocando Michelle Bolsonaro como candidata à Presidência. Em um cenário de primeiro turno sem Flávio na disputa, Lula aparece com 40,4% das intenções de voto contra 29,4% de Michelle. No segundo turno simulado entre os dois, o presidente amplia a vantagem para 45% a 36%.
O levantamento também mostrou onde está a força eleitoral de Michelle: ela lidera entre jovens de 16 a 24 anos, entre eleitores de renda mais alta e nas regiões Sul e Norte do país. O grupo em que sua vantagem é mais expressiva, porém, é o dos evangélicos — segmento no qual ela registra 63,3% das intenções de voto no segundo turno simulado, contra 17,7% de Lula.
Perguntas frequentes
Quem fez a pesquisa e quando ela foi divulgada?
O levantamento foi feito pelo instituto Ideia, sob o selo Meio/Ideia, e divulgado em 8 de julho de 2026. As entrevistas ocorreram entre os dias 3 e 6 daquele mês, por telefone, com 1.500 pessoas.
A pergunta apresentava uma lista de nomes aos entrevistados?
Não. A pergunta foi espontânea: cada entrevistado citou livremente o nome que considerava mais adequado, sem qualquer sugestão prévia do instituto.
O resultado significa que Michelle Bolsonaro será candidata à Presidência?
Não necessariamente. A pesquisa apenas testou cenários hipotéticos para avaliar seu desempenho eleitoral. Até o momento, Flávio Bolsonaro segue como o pré-candidato mais citado pela oposição para a disputa de outubro de 2026.
Por que tantos entrevistados não souberam responder?
O alto percentual de “não sei” (43,5%) é comum em perguntas espontâneas sobre percepção de poder, já que exigem que o entrevistado lembre um nome sem qualquer estímulo — diferente de perguntas com lista de opções, que tendem a gerar respostas mais concentradas.
Conclusão: poder percebido, não necessariamente poder de voto
A pesquisa Meio/Ideia captura mais do que uma disputa entre nomes: ela mostra como um episódio de crise familiar e política, amplamente comentado nas redes sociais, pode se converter rapidamente em capital de imagem pública. Michelle Bolsonaro larga na frente na percepção de poder, mas os próprios dados do levantamento indicam que essa força ainda não se traduz automaticamente em vantagem eleitoral diante de Lula — uma distinção importante às vésperas de uma eleição presidencial que promete ser decidida nos detalhes.
Fontes consultadas
- Poder360 — Michelle é mulher mais poderosa do país para 15% dos brasileiros
- CNN Brasil — Meio/Ideia: 15,4% dizem que Michelle tem mais poder; 9% apontam Janja
- Jornal de Brasília — Michelle Bolsonaro é a mulher mais poderosa do Brasil para 15,4%, aponta pesquisa
- Gazeta do Povo — Pesquisa: qual a chance de Michelle Bolsonaro para presidente
- BPMoney — Lula vence Flávio Bolsonaro em eventual 2º turno de 2026, aponta pesquisa Meio Ideia
- Midiamax — Meio/Ideia: Michelle Bolsonaro é a mulher mais poderosa do Brasil para 15,4%, é Janja a 2°
