A Polícia Federal voltou a recusar uma proposta de colaboração premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, investigado no âmbito das apurações relacionadas ao Banco Master. A avaliação dos investigadores foi de que o material entregue não trouxe elementos inéditos nem evidências capazes de ampliar o que já foi levantado durante a investigação.
A decisão representa a segunda negativa da corporação às tentativas do ex-controlador da instituição financeira de firmar um acordo de delação. A primeira rejeição ocorreu em maio e teve como fundamento argumentos semelhantes: ausência de informações novas e falta de provas que corroborassem os relatos apresentados.
Preso desde março deste ano, Vorcaro é alvo da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e atuação de organização criminosa. Apesar da rejeição pela PF, a defesa ainda busca viabilizar uma negociação junto à Procuradoria-Geral da República, cuja eventual homologação dependeria de análise do Supremo Tribunal Federal.
Nos bastidores das investigações, uma das versões apresentadas pela defesa mencionou episódios envolvendo autoridades dos Três Poderes. Entre os nomes citados estava o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Entretanto, o documento analisado sustentava que não havia indícios de conduta criminosa por parte do magistrado nem elementos que apontassem favorecimento indevido relacionado ao caso.
Relatos divulgados anteriormente também indicaram que propostas preliminares de colaboração abordaram contratos e negociações envolvendo pessoas ligadas ao entorno do Banco Master, incluindo referências ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. Segundo informações divulgadas pela imprensa, um documento chegou a prever um possível contrato adicional, mas ele não teria sido assinado nem gerado pagamentos.
O caso ganhou repercussão nacional após a liquidação extrajudicial do Banco Master e o avanço das investigações sobre supostas irregularidades financeiras. Desde então, autoridades, ex-dirigentes do sistema financeiro e agentes públicos passaram a ser citados em diferentes frentes de apuração relacionadas ao grupo econômico.
Com a nova recusa da Polícia Federal, o futuro de uma eventual colaboração premiada permanece indefinido. Enquanto a defesa tenta manter abertas as negociações com órgãos de persecução penal, investigadores avaliam que as informações apresentadas até o momento não justificam a concessão dos benefícios previstos em acordos de delação.