[foto: Elizabeth Frantz/Reuters]
O Senado dos Estados Unidos rejeitou nesta quarta-feira (14) uma resolução que teria limitado a autoridade do presidente Donald Trump para conduzir futuras ações militares contra a Venezuela sem aprovação prévia do Congresso. A votação terminou empatada em 50 a 50, e coube ao vice-presidente J.D. Vance desempatar o placar, votando contra a medida e barrando sua tramitação.
A proposta, defendida por senadores democratas e alguns republicanos dissidentes, visava fazer uso da War Powers Resolution — legislação federal que busca restringir o poder executivo de envolver forças armadas em hostilidades sem autorização legislativa — para submeter futuras ações no caso venezuelano ao escrutínio do Congresso.
Na semana anterior, cinco senadores republicanos haviam se unido a todos os democratas para avançar o projeto, em uma votação processual de 52 a 47, instalando um raro quadro de dissidência dentro da bancada do partido do presidente.
Mas, sob forte pressão da Casa Branca e da liderança republicana, os senadores Josh Hawley (Missouri) e Todd Young (Indiana) mudaram de posição e retiraram seu apoio à medida antes da votação final, reduzindo o suporte ao texto e provocando o empate.
O resultado da votação reforça a capacidade do presidente Trump de agir na Venezuela sem a necessidade de uma autorização formal do Congresso para futuras operações. Parlamentares que apoiaram o texto criticaram a decisão, apontando que ela pode estabelecer um precedente para ações militares sem controle legislativo.
A administração Trump, por sua vez, argumentou que a resolução poderia comprometer a habilidade do presidente como comandante-em-chefe de responder a ameaças à segurança nacional e que atualmente não existem tropas americanas no solo venezuelano.
O debate no Senado acontece em meio a um cenário de tensões crescentes envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela, após uma operação em Caracas no início de janeiro que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, considerada reação controvertida dentro e fora do Congresso.
Democratas já sinalizaram intenção de continuar pressionando por limites ao uso de poderes executivos em ações militares no exterior, mas a rejeição da resolução representa uma vitória legislativa para Trump neste momento.